GELD OHNE WERT
Grundrisse zu einer Transformation der
Kritik der politischen Ökonomie
DINHEIRO
SEM VALOR
Linhas
gerais para a transformação da crítica da economia política

Editora:
Horlemann, B
ISBN:
978-3-89502-343-9
Encadernação: Paperback
Páginas/Dimensões: cerca de 304 páginas - 21,0 x 14,8 cm
Publicado
em: 1ª Edição 07.2012
Informação sobre preços: 16,90 Eur [Alemanha] / 17,40 Eur [Estrangeiro]
Todos os
preços incluem IVA
O livro é
a primeira de uma série de publicações sobre a controvérsia em torno da crítica
da economia política no século XXI, série essa originalmente concebida como
projecto de um único livro com o título provisório de "Tote Arbeit [Trabalho
morto)".
DINHEIRO SEM VALOR
Linhas gerais para a transformação da crítica
da economia política
GELD OHNE WERT
Grundrisse zu einer
Transformation der Kritik der politischen Ökonomie
"As pessoas acham qu'o mundo é feito
assim e se l'es dissermos que não é
assim, cai-l'es o tecto em cima e talvez a nossa cabeça 'ò chão"
David Mitchell, Der Wolkenatlas, p. 379) [Atlas das nuvens;
original: Cloud Atlas]
Prefácio
De 11 de a 13 de Março de
2011 realizou-se na Universidade de Bremen um simpósio intitulado "Magia do
dinheiro. Sua racionalidade e irracionalidade", organizado por Johannes Beck,
Helmut Reichelt, Gert Sautermeister e Gerhard Vinnai no quadro do Institut für
Kulturforschung und Bildung [Instituto de Pesquisa Cultural e Educação]. O texto
que segue é baseado numa apresentação preparada para a ocasião e que
infelizmente não pôde ser concretizada por causa de obrigações familiares. Esse
núcleo está na base do presente livro, numa versão reelaborada, completada e
fortemente alargada.
Ultrapassando o objectivo
original, este ensaio é uma tentativa de apresentar diversas linhas de
argumentação de uma reinterpretação fundamental da crítica da economia política,
numa espécie de síntese ou panorama geral. Basicamente, são quatro grandes
temas, ou talvez até mesmo projectos que aqui são juntos num primeiro ensaio: Em
primeiro lugar, o problema das sociedades pré-modernas ou pré-capitalistas, que
têm de ser percebidas na peculiar qualidade da sua socialização fraca, com
formas de relacionamento bem específicas e, assim, como fundamentalmente
diferentes da socialização "económica” negativa da chamada modernidade.
Portanto, contra a razão iluminista e também contra o marxismo, exclui-se a
definição transhistórica de categorias fundamentais supostamente abrangentes
("trabalho", forma-dinheiro, forma-mercadoria etc.) que resulta da metafísica
burguesa da história. Segundo, o processo de constituição histórica do capital
no início da modernidade que, como forma de transição, implica uma lógica
diferente e uma sequência diferente de categorias relativamente à relação de
capital "acabada". Terceiro, a lógica e o contexto categorial ou "circulação"
(Marx) do capital, como seu próprio processo de reprodução ou "movimento em si
mesmo", que numa visão modificada das determinações fundamentais também se
apresenta de modo diferente das interpretações usuais da teoria de Marx. E,
quarto, a autocontradição interna e o limite interno lógico da dinâmica
capitalista que, finalmente, também tem de apresentar-se como resultado
manifesto de uma história interna progressiva do fetiche do capital.
Claro que, no âmbito
relativamente estreito desta análise, a quádrupla referência temática apenas
pode ser formulada como ensaio e não num processo monográfico detalhado. Mas
para o efeito o ensaio oferece o esboço de uma relação global lógica histórica,
que não pode ser conseguido nesta forma como um todo numa passagem mais
abrangente através do material e da bibliografia e, por conseguinte, tem o seu
valor próprio.
Ao mesmo tempo também se
trata necessariamente de um debate no campo teórico do marxismo e principalmente
com base no debate contemporâneo entre a nova ortodoxia (no sentido mais amplo),
por um lado, e a chamada nova leitura de Marx, por outro. Contra as quais se
assume aqui uma terceira posição, pretendendo transcender criticamente a disputa
entre estas duas leituras até agora em primeiro plano. O ponto de vista central
não é a filologia de Marx, mas a exigência de uma explicação histórica concreta
dos processos sociais. Isto aplica-se tanto à posição do capitalismo na história
como à sua própria história e não menos importante aos seus limites históricos.
A agudeza do conflito teórico é, portanto, alimentada principalmente a partir de
conceitos conflituantes da historicidade do objecto em vários planos. Embora as
razões sejam epistemicamente e no conteúdo muito mais profundas, o conflito mais
uma vez tem de se agudizar no debate sobre a teoria marxiana da crise. Neste
ponto, a nova ortodoxia e a nova leitura de Marx estão juntas não por acaso com
praticamente tudo o que resta do marxismo e do pós-marxismo numa frente contra a
orientação teórica aqui defendida.
Poderá também surpreender e
parecer estranho, mesmo a pessoas interessadas de boa vontade, que o propósito
crítico deste ensaio no contexto do debate sobre a teoria de Marx em alguns
pontos-chave se vire especialmente contra a versão da nova leitura de Marx de
Michael Henrich e da sua "ciência do valor" (Henrich 2003/1999). Não se trata
aqui de um pensamento aparentado não problemático, como observadores
superficiais muitas vezes pensam, mas talvez da mais importante posição
contrária, pois ela pretende ocupar o mesmo terreno de uma reavaliação
fundamental da teoria de Marx e da história do marxismo com consequências
totalmente opostas em relação às determinações categoriais e, portanto, exige ao
máximo o confronto. Para lá das abordagens anteriores de uma polémica formulada
provisoriamente em textos da revista teórica "Exit" (Kurz
2004,
2005 a) continua-se aqui a crítica da
interpretação feita por Heinrich com base na ideologia da circulação e no
idealismo da troca. Sua "leitura de uma leitura" sobretudo não ultrapassa o
"individualismo metodológico" na crítica da economia política, que permanece
insuficientemente exposto como elemento essencial da episteme burguesa, tal como
no caso dos adversários neo-ortodoxos. Em vez disso, a correspondente redução
decorrente do "problema de exposição" de Marx é simplesmente compatibilizada com
o pensamento pós-moderno.
De acordo com o caráter
ensaístico do texto também neste caso as citações são escassas; a argumentação
será desenvolvida mais uma vez em pormenor na sequência posterior de textos numa
escala semelhante, com questionamentos específicos que dão menos espaço a uma
visão histórica geral e devem concentrar-se mais nos problemas inerentes à
teoria de Marx em sentido estrito (em particular o conceito de substância). Está
prevista neste contexto uma série de publicações sobre a controvérsia em torno
da crítica da economia política no século XXI, originalmente concebidas como
projecto de um único livro com o título provisório de " Tote Arbeit [Trabalho
morto]".
O projecto modificado como
uma série de textos, cada um com uma temática limitada e a correspondente
extensão, não é apenas uma concessão aos hábitos de leitura de um público que já
não consegue nem quer suportar trabalhos teóricos que pretendam a apresentação,
desenvolvimento conceptual e análise sistemáticos e globais. O volumoso
Capital de Marx teria hoje chegado provavelmente ainda com mais dificuldade
do que a primeira edição do primeiro volume em 1867 às mais de duas mil cópias
vendidas. Mas a "grande teoria", proscrita no positivismo ideológico pós-moderno
de via reduzida, pode ser administrada em pequenas doses, como um projecto de
transformação que conscientemente viola essa "proibição". Não por motivos de
adaptação, mas para poder dar mais fortemente à exposição analítica conceptual o
carácter de uma intervenção no actual conflito histórico em torno da teoria de
Marx.
Pois justamente hoje
recomenda-se que se procure a distância teórica não tanto no silêncio de muitos
anos de desenvolvimento do conceito da obra de arte total, mas sim como
formulação do conflito no corpo a corpo no campo de debate. Num tempo de reais
rupturas de época, trata-se menos do que nunca de uma mera compreensão
filológica no sentido académico, mas sim afinal da práxis histórica da crítica
radical. Também o esclarecimento da relação entre o lógico e o histórico na
teoria de Marx, um ponto importante na discussão aqui referida, tem
consequências decisivas para uma abolição da sociedade fetichista capitalista, a
ser definida de novo após o fim inglório dos programas anteriores de socialismo
e comunismo.
Índice
Prefácio
Introdução: A revolução
teórica inacabada
1. O lógico e o histórico
2. Teoria do valor monetária
e pré-monetária
3. O conceito de
"forma-nicho" e o individualismo metodológico
4. Relações fetichistas
pré-capitalistas
5. Um dinheiro que ainda não é
dinheiro nenhum
6. Dinheiro como achado
histórico e a constituição original do capital
7. Constituição e circulação
8. O desaparecimento da
circulação e a lógica do capital
9. O estatuto social geral
das categorias e o individualismo metodológico em relação ao conceito de capital
10. A substância
abstractamente material do fetiche do capital
11. A mercadoria dinheiro ou
o equivalente geral como mercadoria à parte
12. A dupla historicidade e a
natureza objectiva das crises
13. A natureza fragmentária e
a recepção reduzida da teoria da crise de Marx
14. Mais-valia relativa e
expansão do capital. A história interna do mecanismo de compensação e os seus
limites lógicos
15. O fim do movimento de
expansão interna, a crise mundial da terceira revolução industrial e a vergonha
do positivismo de esquerda
16. A lei da queda tendencial
da taxa de lucro
17. A dupla desvalorização do
valor. A caminho da crise histórica do dinheiro
18. Afirmação categorial,
ignorância da crise e mitologização da "teoria do colapso"
19. Falso historicismo e
falso logicismo. Socialismo e relações dinheiro-mercadoria
Bibliografia
Original
Robert Kurz, Geld ohne Wert - Grundrisse zu einer
Transformation der Kritik der politischen Ökonomie
in
www.exit-online.org,
14/05/2012