SERVOS EM VEZ
DE DESEMPREGADOS?
A Alemanha,
após a queda da conjuntura económica global, não se apresenta como uma ilha de
bem-aventurados, mas ainda assim como o país industrializado que melhor absorveu
a ameaça de mais desemprego em massa. Embora as empresas estejam a reduzir o
pessoal há meses, o número de desempregados aumentou apenas moderadamente. A
solução do enigma: este país, graças ao enquadramento legal, tem o maior sector
de salários baixos da Europa Ocidental, que na crise ainda se expandiu mais. A
cadeia de drogarias Schlecker acaba de mostrar como se mantém o emprego: a
maioria dos trabalhadores foi transferida para uma empresa de trabalho
temporário e readmitida em condições muito piores. A recém-nomeada ministra do
Trabalho mostrou-se apreensiva por saber se tudo isso se teria passado
correctamente. O que é tanto menos credível quanto se anunciou poucos dias antes
uma maior pressão sobre os beneficiários do plano Hartz IV. Foi dada a
orientação do Conselho Consultivo do Governo Federal, o chamado Conselho
Económico, que já havia sido proposta pontualmente em Dezembro, no período de
Natal, para uma redução da tabela em 30 por cento, para 251,30 € por mês. Essa
era a tabela anterior para crianças de 6 a 13 anos. Em consequência, os limites
de renda adicional têm de ser aumentados. Os beneficiários do plano Hartz IV
talvez possam então, com trabalho forçado mal pago, conseguir novamente um
rendimento de fome ao nível da velha tabela. Na semana passada o conselheiro
económico Wolfgang Franz pôs mais achas na fogueira, ao promover um trabalho
forçado municipal complementar para os chatos dos supérfluos. A sabedoria do
conselho, pelos vistos, está em que a divisa "salário e pão" seja entendida com
o objectivo de criar uma casta de servos da administração do trabalho e das
pequenas empresas de oportunistas. Espera-se poder sair "fortalecido da crise" –
caso o mercado mundial não estrague esses sábios planos – quando há melhor
comida na prisão do que a conseguida por milhões de "pobres trabalhadores".
Original
LEIBEIGEN STATT ARBEITSLOS? in
www.exit-online.org. Publicado na edição
impressa do semanário Freitag, Berlim, 14.01.2010