Roswitha Scholz
O TABU DA ABSTRACÇÃO NO FEMINISMO
Como se esquece o universal do
patriarcado produtor de mercadorias
“A dignidade dela está em ser ignorada”
Jean-Jacques Rousseau
Introdução * Breve esboço da elaboração teórica
feminista desde "68" * O problema da obsessão de auto-relativização no feminismo
e a dissociação-valor como princípio fundamental do patriarcado produtor de
mercadorias * O problema fundamental do relativismo e a inevitabilidade da
abstracção dialecticamente mediada no contexto da crítica da dissociação e do
valor * Auto-afirmação em vez de autonegação como pressuposto da
auto-relativização * O patriarcado produtor de mercadorias esquecido *
Bibliogafia
Introdução
Nos anos noventa a teoria feminista, agora
transformada em teoria do género, sofreu uma mudança de paradigma: deixou de se
denunciar a neutralidade sexual dos projectos teóricos e passou a focar-se a
construção ou desconstrução da masculinidade e da feminilidade, abstraindo do
facto de o homem ser simplesmente estabelecido como o universal nas concepções
androcêntricas (que continuam a constituir o mainstream). A crítica
feminista anterior tornou-se ela própria suspeita de reproduzir novamente a
relação assimétrica de género justamente através da sua nomeação.
Até bem dentro dos anos oitenta, ainda procurámos
afirmar-nos contrariando a tese de esquerda da contradição secundária (se bem
que muitas vezes de modo problemático, a meu ver). As pesquisas queer e de
género experimentaram então uma ascensão meteórica. Simultaneamente deu-se uma
mudança de rumo para análises sociologicamente descritivas, cujas representantes
projectam a imagem de seriedade particularmente científica com a descrição
precisa de contradições, diferenças, ambivalências e desigualdades. Desde então
qualquer esforço de conceito é acusado de inadmissível agravamento do
“essencialismo” de modo no fundo mais ou menos inconsciente. Torna-se assim
impossível a teorização e o questionamento necessariamente RADICAIS da relação
hierárquica de género, que continua a dominar à escala mundial, mesmo na
decadência do patriarcado produtor de mercadorias.
Breve esboço da elaboração teórica feminista desde
"68"
Depois do arremesso de tomates de Helke Sander em
1968, que deve ter tornado claro para os camaradas homens que as mulheres não se
limitavam a saber fazer café, constituiu-se um novo e amplo movimento de
mulheres. Nos anos setenta a relação entre um patriarcado admitido à escala
mundial e o capitalismo esteve no centro da elaboração teórica feminista. Neste
contexto, tratou-se também da questão de saber se o trabalho doméstico criaria
valor. Os debates sobre o assunto evidenciaram que tais hipóteses assentavam
numa tacanhez economicista (cf. Beer, 1991, p. 47 sg.). Trabalho de casa, amor,
educação das crianças, cuidar e assistir têm uma qualidade própria que não pode
ser compreendida economicamente sem mais.
Desde meados dos anos setenta deram que falar os
chamados “novos movimentos sociais” (movimento alternativo, das mulheres,
ecológico, da paz). A política já antes era proclamada na primeira pessoa, na
sequência do movimento de 68, mas agora por maioria de razão. Foram discutidos
acaloradamente os postulados metódicos da pesquisa científica feminista das
mulheres, então formulados por Maria Mies, cujo cerne reside no postulado da
preocupação ou da parcialidade. Na discussão em torno da Casa das Mulheres de
Colónia, as protagonistas ou cientistas feministas e as mulheres vítimas de
violência foram declaradas atingidas e com os mesmos direitos, no sentido da
investigação-acção (então em maré alta e não apenas no feminismo). Deste modo se
deveria romper a relação sujeito-objecto científico (Mies, 1978). Na minha
opinião, este ponto de vista da preocupação imediata, para o qual não existe
verdadeiramente uma totalidade social de algum modo supra-individual (cf. também
Beer, 1987a), no fundo não foi abandonado, mas sim traduzido na forma das
teorias do ponto de vista, também sobre as situações (das mulheres) à escala
internacional (para artigo síntese cf. Seifert, 1992, p. 257 sg.), mesmo se
então se trata logo de insistir na objectividade científico-burguesa no contexto
marxista (Beer, 1987).
Na Alemanha deram que falar sobretudo as mulheres do
grupo de Bielefeld (Maria Mies, Veronika Bennholdt-Thomsen, Claudia von
Werlhof). O conceito de dona de casa explorada foi por elas estendido também às
colónias, à natureza e mesmo ao trabalhador assalariado despedido. A relação
hierárquica de género tornou-se uma espécie de nova contradição principal. Em
termos de prática política isso correspondia à divulgação de uma perspectiva de
subsistência (Werlhof/Mies/Bennholdt-Thomsen, 1983), ou seja, a um “cuidar de
si” em pequenos contextos razoáveis, na base das “qualidades femininas”. Um
feminismo da diferença no sentido da diferença de género, em muitos aspectos
problemático, desfrutou de uma posição hegemónica até bem dentro dos anos
oitenta. O livro de Carol Gilligan In a different voice (Die andere
Stimme na versão alemã) foi controversamente discutido; segundo ele
verifica-se nas mulheres um sentimento de justiça diferente, directo, pessoal e
concreto, ao contrário do sentimento de justiça estéril e abstracto dos homens
(Gilligan, 1984). Nesse tempo também houve muitos debates sobre o matriarcado.
No fim dos anos oitenta surgiram também muitos trabalhos e ensaios sobre o tema
“filosofia feminista” no contexto de tal pensamento da diferença de género.
Por outro lado, começou também a desenvolver-se nos
anos oitenta um debate sobre a relação entre classe e género que, ao contrário
do grupo de Bielefeld, exigia uma elaboração teórica (marxista) séria. O género
foi aqui elevado de modo sociologista a princípio estrutural, análogo ao
princípio estrutural classe (cf. Beer, 1987b). De par com isso vinha já o
discurso entretanto tornado hegemónico do género e da sua desconstrução que, em
posição frontalmente contrária ao feminismo da diferença sexual e à sua denúncia
da neutralidade sexual, erigiu como fundamento precisamente a inversa
(des)contrução radical do género. As teorias de referência são desde então
sobretudo a análise do discurso de Foucault, mas também abordagens
interaccionistas e etnometodológicas, que continuam igualmente em alta.
Desde a segunda metade dos anos oitenta também o tema
“diferenças entre mulheres” se divulgou, tendo sido proclamada uma dependência
do género do contexto histórico e cultural. Supostamente eram as objecções das
“outras” mulheres não brancas que coagiam o movimento de mulheres brancas à
auto-limitação (cf. para uma crítica: Sommerbauer, 2003). Afinal com preocupação
é que se entende bem. Gudrun-Axeli Knapp falou da “diferença esquecida” no fim
dos anos oitenta (1988). No entanto pode supor-se que o próprio movimento
ocidental das mulheres, na sequência de uma pluralização pós-moderna de
projectos de vida baseados no consumo e de duvidosos direitos de participação
alcançados, perdeu o interesse no seu tema em sentido estrito. A tematização da
culpa ou cumplicidade das mulheres, que ocorreu na Alemanha na segunda metade
dos anos oitenta não em último lugar relativamente ao nacional-socialismo, foi
assim apenas um estádio passageiro para a moderação do género auto-administrada
e de uma irrelevância ostensiva. É assim que recentemente não por acaso dão que
falar as chamadas meninas alfa (criticadas pelo feminismo do género talvez
porque também trazem este à reconhecibilidade), as quais problematizam a relação
de género apenas do ponto de vista do interesse particular imanente (cf., por
ex., Haaf/Klingner/Streidl, 2008). Deste modo particular e insignificante
procuram assim as mulheres conseguir uma patética universalidade imanente,
alinhando na dança de roda da concorrência capitalista.
De facto deveria ser entretanto atribuído às mulheres
no período seguinte um papel reforçado de administradoras de crises e de
“mulheres dos escombros”, de modo a torná-las simultaneamente responsáveis pelo
dinheiro e pela sobrevivência; seja no plano inferior, como promotoras de grupos
de ajuda e não só no chamado terceiro mundo, seja na economia e na política,
campos em que nolens volens lhes são dirigidos cumprimentos pelo seu tipo
de governamentalidade, tanto no nível inferior como no superior, agora que a
ordem capitalista masculina está a desconjuntar-se (cf. Scholz, 2000). Poderia
interpretar-se esta tendência no sentido de uma “revolução passiva”, na
expressão de Frigga Haug com referência a Gramsci e tendo em conta as relações
de género pós-modernas (Haug, 2009, p. 404). Desde o crash financeiro de
2008 cresceu de modo particularmente suspeito o apelo á participação das
mulheres no poder e à imposição legal de quotas; suspeito no sentido de
atribuição de capacidades “femininas” de co-gestão “altruísta” de crises, mesmo
fora dos estereótipos de género tradicionais.
Com o começo da década de 2000 reforçou-se o tema da
“interseccionalidade”, isto é, da relação sobretudo de “raça”, classe, género,
bem como da incapacidade e da velhice. Assim, reconheceu-se entretanto a
relevância de outras determinantes; o fundo continua a ser portanto a
preocupação, a identidade, a ligação à localização social e cultural, que agora
no entanto é tratada num plano meso da estrutura sociológica. Assim, em Gudrun
Axeli-Knapp, que não por acaso desempenha um papel significativo na paisagem do
feminismo sociologista por cá, a sociedade surge, numa interpretação particular
de Adorno, de modo reducionista e sociologista como mero conceito relacional,
como contexto de entrelaçamento histórico, como relação recíproca de esferas
sociais (economia, política, ciência, privacidade); ou seja, no fundo despida de
qualquer princípio essencial e formal abrangente (ver Knapp, 2008,
particularmente p. 141 sg.). Uma crítica fundamental do capitalismo e do
patriarcado é assim mudada para um entendimento da sociedade sociologicamente
minimizador, de oposição apenas aparente, porque no fundamental compatível com
as piores situações.
Apenas a partir da segunda metade da década de 2000
ocorreu também de novo uma certa reflexão sobre a relação de género fundamental
no contexto da crítica do capitalismo, o que poderá dever-se a um agravamento da
situação social e neste contexto também a um certo renascimento de Marx, na
senda do desabar da crise massivamente nos últimos anos. “Mulheres, pensai
economicamente” (Nancy Fraser) e outras palavras de ordem semelhantes foram
desde então proferidas. Mesmo nos círculos queer gostar-se-ia agora (a meu ver
de forma simplista) de redescobrir a antiga tematização da relação entre as
esferas da produção e da reprodução para a definição teórica da relação
hierárquica de género (vd., por ex., Winker, 2007). No entanto um pensamento em
contradições, ambivalências, diferenças, particularidades etc. continua a
dominar agora como antes o discurso do feminismo teórico, mesmo no interior
desta reflexão. Se olharmos a sua história mais recente, o feminismo parece
doido precisamente pelo detalhado, pelo individual e pelo particular, muito
longe de reconhecer a relação hierárquica de género como princípio social
fundamental no nível de abstracção apropriado.
O problema da obsessão de auto-relativização no
feminismo e a dissociação-valor como princípio fundamental do patriarcado
produtor de mercadorias
É elucidativo pôr tais tendências e esta viragem que
se tornou visível desde o início dos anos noventa em ligação como a ascensão do
neoliberalismo e o colapso do bloco de leste. Marx foi então considerado
definitivamente arrumado, as grandes teorias foram em geral postas em questão.
Nos círculos pós-modernos e nos correspondentes empreendimentos científicos
invoca-se sobretudo teorias pós-estruturalistas, com Foucault no topo quase sem
concorrência. O processo da globalização parecia além disso tornar quase
inevitáveis as indecisas conceptualidades trans- ou entre- – o que supostamente
até transparece no plano das manifestações sociais superficiais. Poderia ser
também considerado neste contexto o desaparecimento da filosofia feminista antes
de ter sequer entrado propriamente na ordem do dia e, portanto, o fim da sua
pretensão de confrontar a teoria social, a história intelectual, a teoria do
conhecimento, a estética etc. com a relação hierárquica de género e, sobretudo,
antes de tornar patentes os padrões androcênticos do pensamento escondidos
(Nagel-Docekal, 2000, p. 13 sgs.).
Além disso, na sequência das tendências de
individualização pós-modernas, para alguns a questão do género apresentava-se
tão bem resolvida nos anos noventa que tal exigência era considerada obsoleta.
Mesmo se eram sobretudo as mulheres que continuavam a ser responsáveis pelas
actividades da reprodução, no entanto elas foram sendo progressivamente
integradas no domínio profissional, o seu nível de escolaridade equiparou-se ao
dos homens, surgiram oportunidades de carreira pelo menos nos níveis
intermédios, o que levou a que as ideias tradicionais de feminilidade fossem
sentidas como um desaforo. Eu não sou isto! Também esse sentimento se deveria
tornar uma fonte para o nascimento do desconstrutivismo – assim se pôde
argumentar de certa maneira em termos de sociologia da ciência, ou seja, a
partir de uma posição a cuja tacanhez voltarei. Simultaneamente avançavam homens
parcialmente entendidos em género e compreensivos com as feministas, que
pareciam tomar isso a sério.
Penso todavia que tais tendências sociais e os
correspondentes sentimentos não são suficientes para conseguir esclarecer porque
foram desperdiçadas tão prontamente e com tão boa vontade as oportunidades,
talvez pela primeira vez na história, de esclarecer teoricamente do lado
feminista a relação hierárquica de género, e porque foi sentida já quase como
solução a absorção da teoria do discurso ou da linguagem. A relação hierárquica
de género, enquanto meramente construída, pôde então ser exonerada da sua
posição central e foi considerada apenas como uma entre muitas relações de
desigualdade. Aqui, precisamente na hipótese de uma pura construção do género,
se viu também que as mulheres tinham uma queda para as pequenas coisas, para o
detalhe, a diferença etc. o que já antes se tinha visto no favorecimento dos
conceitos de subsistência. Na síntese de Barrett/Phillips, no início dos anos
noventa: “No ataque arrebatador aos modelos falsamente universalizantes,
hiper-generalizantes e hiper-ambiciosos do liberalismo, do humanismo e do
marxismo, muitas feministas viraram-se decididamente para os projectos de
crítica pós-estruturalista e pós-moderna. No contexto deste entendimento muitas
feministas decidiram-se pela análise do local, do específico e do particular”
(Barrett/Phillips, cit. por Sommerbauer, 2003, p. 38).
Mas é nisso mesmo que se revela fatalmente uma
estrutura de pensamento que já no século XVIII foi imputada às mulheres,
supostamente menos inteligentes, a partir do ponto de vista de um universalismo
androcêntrico. Assim escrevia o barão iluminista Knigge em 1788: “Exijo duma
dama esprit de détail (!)… tolerância, transigência e paciência” (Knigge,
2009, p. 159 sg.). A tendência para o específico e para o particular, para o
detalhe sem “pretensão de generalidade”, deveria pois ornamentar a feminilidade
no sentido de “transigência e paciência”. Em 1890, portanto um século depois,
George Simmel (e não só ele) confirmou de forma consideravelmente mais elaborada
a Psicologia da Mulher: “Onde…não é possível conseguir entender e ganhar
interesse por um ideal sem mais elevada abstracção autónoma, as mulheres falham
no entendimento e no interesse, seja na ciência, nos ideais políticos mais
altos, ou naquela moralidade que ignora o próximo e o pormenor para tratar dum
âmbito mais vasto” (Simmel, 1985a, p. 42). E ele constata ainda: “As mulheres
também (conseguem) melhor acomodar-se a meias relações, relações indecisas,
possivelmente em mais profunda conexão com a qualidade da sua razão teórica,
gostam de arranjar-se sem conceitos rigorosos e claramente definidos. Um estado
tão indeciso e consistindo apenas em transição, como o noivado, que o homem na
melhor das hipóteses considera insatisfatório e incómodo, procurando abreviá-lo
o mais possível, é para a jovem em regra pleno de felicidade, conseguindo ela
adaptar-se com toda a sua alma a essa situação de meio-termo” (Simmel, 1985a, p.
44 sg.).
Knapp/Wetterer descrevem a paisagem feminista no
início da década de 2000 precisamente no sentido destas “relações meio
indecisas”: “A controvérsia com as implicações normativas da crítica feminista,
em que tinham sido generalizadas as experiências mais frequentes de determinados
grupos de mulheres (mulheres brancas heterossexuais de classe média),
desencadeou uma dinâmica de reflexividade na discussão feminista internacional
que procura algo idêntico noutros domínios das ciências humanas e sociais: quem
reclama a partir de onde falar por quem na base de que experiências? De que
maneira a situação social marca a percepção do mundo? O que se pode generalizar
e por que razões?... A espargata extrema entre a crítica da política normativa e
a reflexividade auto-crítica feita actualmente pela teoria feminista equivale a
uma prova de fogo. Vista em termos positivos, ela fundamenta no entanto a
oportunidade de futuramente se conseguir manter vivo, se possível, o valor
cultural-científico e social dessa anterior constelação no posterior trabalho
relacionado com a diferença e a desigualdade… O ‘nós’ contido em perspectiva na
pretensão feminista supõe horizontes de problemas diferentes que têm de ser
repetidamente diferenciados, concretizados, relacionados, relativizados e
redefinidos no processamento da desigualdade e da diferença” (Knapp/Wetterer,
2001, p. 11).
Simmel foi frequentemente acusado no feminismo e com
razão de “essencialismo” e da reprodução das relações tradicionais de género. No
entanto não se pode deixar de constatar perante o desenvolvimento das últimas
décadas que o próprio feminismo está profundamente preso a tais estruturas. O
pensamento feminino da diferença repetidamente atribuído pelo universalismo
androcêntrico dominante reproduz-se mais uma vez na pós-modernidade e justamente
na desconstrução da feminilidade. Este pensamento pensa em “muitas mulheres” e
até mesmo em “muitos géneros”; até chegar às identidades transexuais nos
contextos feministas queer.
Poderá parecer completamente errado e até mesmo
grotesco atribuir precisamente a Judith Butler uma espécie de “persistência no
noivado”; mas, se virmos bem, ela não só se sente bem no noivado de Simmel, mas
é mesmo A teórica do noivado em si, entendido como símbolo da ontologização da
posição intermédia do género nas teorias queer e de género. Esta paixão pela
“posição intermédia” e o ressentimento contra “conceitos rigorosos e claramente
definidos”, que Simmel considera um estado de espírito fundamental das mulheres,
são expostos louvavelmente com toda a clareza quando Christina Thürmer-Rohr
formula recentemente o pensamento fundamental essencial das teorias de género e
queer no sentido de Butler: “A teoria desconstrutivista dos géneros não só
recusa a ordem sexual bipolar, mas desanca em todas as categorias consolidadas
como ‘masculino’, ‘feminina’, ‘lésbica’, ‘homossexual’, ‘heterossexual’,
‘bissexual’ etc., colocando-se portanto transversalmente a todas as
classificações fixadas no padrão da heteronormatividade. O potencial crítico
reside no facto de dar idêntico valor às diferentes formas de vida e de tomar a
sério o ‘género’ na sua pluralidade e ambiguidade”. Um tal “pensamento
(significa) fazer sempre uma ‘nova tentativa’, ser sempre incompleto,
especulativo e correr riscos” e ter de “começar repetidamente do princípio”:
“Assim poder-se-ia também entender a teoria queer, a mais provocante variante do
discurso sobre o género que frequentemente é conservador, como um projecto
anti-totalitário, que pretende juntar pluralidade e igualdade… Ele provoca… a
defesa do princípio de que não conhecemos nem pretendemos um ‘acesso
privilegiado à verdade’… Nos pontos de vista da descategorização (!) não se
trata de um ‘terceiro sexo’, mas sim de desistir do pensamento em grandes
categorias em geral e de conceber a posição intermédia como ‘mais valia’ e não
como defeito” (Thürmer-Rohr, 2008, p. 54 sg.). Será de notar: deve em geral ser
posto em questão um pensamento em grandes categorias, e este é equiparado de
modo fenomenologicamente reducionista com as categorizações sexuais! Como se a
própria Thürmer-Rohr não tivesse já criticado ofensivamente a focagem do
pensamento feminista no detalhado e na proximidade (cf., por ex., Thürmer-Rohr,
1994), ela parece agora querer seguir a atribuição de Simmel, na adaptação à
pós-modernidade.
Entretanto até se procura puxar esta situação
intermédia, esta “mais-valia” (como se “mais-valia” não fosse já uma categoria
problemática) mesmo para o plano das ciências naturais e biológicas a fim de
emprestar dignidade a tal pensamento. Assim acontece por exemplo no livro de
Heins-Jürgen Voß Making sex revisited. Desconstrução do sexo do ponto de
vista médico-biológico, de momento extremamente popular nos círculos
feministas queer – como se justamente a biologia, como suporte das ciências
sociais, não tivesse já constituído sempre a legitimação do poder; como se pode
ver justamente nas ideias modernas de masculinidade e de feminilidade (cf., por
ex., Honegger, 1991). Uma questionável necessidade de “fundamentação” nas
ciências naturais gostaria assim de conferir seriedade às coerções pós-modernas
camufladas de liberdade.
Mesmo se hoje as mulheres estão equiparadas aos
homens na escolaridade, ou se em parte até atingem uma formação superior (não em
último lugar uma acrobacia do pensamento feminista pós-estruturalista, que não
por acaso no entanto vem murchando nos últimos tempos, exige algo no trabalho
sociológico de abstracção), a teoria feminista no entanto desemboca sobretudo em
meras descrições de diferencialidades, relacionalidades, “localidades” etc. e
permanece obviamente de todo incapaz de apreender a própria relação hierárquica
de género in abstracto. Se já Rousseau no capítulo significativamente
curto sobre Sofia do Émile escreveu “A dignidade dela (ou seja, da mulher
– R.S.) está em ser ignorada” (Rousseau, 1986, p. 819), uma frase que não por
acaso constitui o mote do meu texto, essa “dignidade” parece ter de traduzir-se
na renúncia a apreender O CONCEITO FUNDAMENTAL da relação assimétrica de género.
Uma vez que as mulheres há muito provaram, contra as
velhas ideologias patriarcais, que são por princípio muito bem capazes do
pensamento abstracto, a incapacidade, ou melhor, a relutância tem de residir em
algo diferente da mera falta de capacidade de abstracção e tem de estar ancorada
nas profundas estruturas patriarcais da socialização da dissociação e do valor,
segundo as quais as mulheres devem ser responsáveis em primeiro lugar pelas
actividades de reprodução, pelo amor, pela assistência, pelo cuidar e proteger
na proximidade, devendo os homens, pelo contrário, ser responsáveis em primeiro
lugar pelo trabalho abstracto, pela produção de valor, pela economia e pela
política em geral.
Os momentos da reprodução que não podem ou só
dificilmente podem ser representados em trabalho abstracto e
mais-valia/dinheiro, sendo no entanto necessários, foram dissociados da
socialidade oficial, banidos para o concreto imediato incapaz da generalidade e
historicamente delegados nas mulheres. E nada de essencial se modifica nesta
relação fundamental se as mulheres se ligam à esfera do trabalho abstracto ou da
produção de valor sem perderem a atribuição do dissociado. Por isso a
dissociação também não se localiza num domínio especial do que é próximo, do que
é privado, pelo contrário, ela própria constitui um princípio geral, como tal
não designado, que atravessa todas as esferas. Por isso ela também participa na
mudança e deve ser concebida como processo histórico, de tal modo que ela assume
faces diferentes nas diferentes épocas do desenvolvimento capitalista e portanto
também na pós-modernidade, quando, por exemplo, as ideias tradicionais dos
papéis sociais perdem força. No entanto a dissociação mantém-se como princípio
através da mudança; é o caso da concentração da actividade profissional feminina
na esfera da assistência, do pior pagamento às mulheres mesmo nos domínios
profissionais não conotados como femininos etc. Assim se mostra que trabalho
abstracto ou mais-valia e dissociação sexual estão numa relação dialéctica
recíproca, que tem de ser teorizada como princípio da dissociação-valor
fundamental e abrangente; apesar de toda a mudança e de todas as diferenciações,
que só podem ser esclarecidas tendo como pano de fundo esta conceptualidade
fundamental.
A fundamentalidade da relação de dissociação-valor
mostra-se precisamente no facto de para ela não haver qualquer correspondente
conceito fundamental e geral. Pois, como as esferas públicas gerais da economia,
da política e da ciência são conotadas como “masculinas”, esta atribuição
reproduz-se no entendimento da teoria como tal, devendo os homens em princípio
ser também responsáveis pelo “império do conceito”. E tal como a dissociação se
mostra, mesmo estando as mulheres já sempre na esfera pública, o mesmo se aplica
à teoria e ao desenvolvimento conceptual: também mesmo na própria elaboração
teórica, por assim dizer, apenas a teorização do insusceptível de generalidade é
atribuída às mulheres e por elas assumida com manifesto apreço. E também neste
sentido, na reprodução teórica da responsabilidade prática pelas actividades
dissociadas da reprodução, elas são de certo modo identificadas com o cuidar,
tal como até em privado e no sector financeiro lhes seriam reembolsados
essencialmente créditos de confiança. Elas parecem assim mais apropriadas que os
homens para a gestão da crise num capitalismo em decadência, na medida em que
recusam conceptualmente a “universalidade abstracta” (Marx) e por isso também
falham a sua crítica precisamente no que diz respeito à relação de género.
Mesmo em contextos históricos modificados, a essência
da dissociação-valor surge assim prática e teoricamente, e tem de ser
nomeada, precisamente se a actual forma de manifestação não deve ser
negligenciada. Pois juntamente com a referência temporal seria negada a verdade
da “essência” enquanto processo, o qual no entanto terá de ser definido apenas
se com ele conseguir construir-se uma referência temporal. Neste contexto também
poderia tematizar-se detalhadamente um inconsciente socialmente androcêntrico em
sentido psicossocial, nomeadamente na medida em que ele na sua estrutura
profunda possibilita hoje relações capitalistas patriarcais, mesmo em forma
modificada. Não posso aqui alongar-me sobre isso, mas a tematização deste
problema continua a ser um desiderato. Pois a investigação mais precisa de tal
inconsciente social poderia perfeitamente explicar porque se pode também
constatar no feminismo até hoje essa tendência para o particular e para o
detalhado, e porque se procura de preferência evitar a problematização das
grandes estruturas abrangentes, mesmo até relativamente à própria relação
hierárquica de género. No caso é estranha também a predilecção feminista por
pensadores (masculinos) como teóricos de referência que por sua vez prestam
homenagem às diferenças, às contradições, ao particular etc., fundamentando no
entanto esta mesma orientação de modo geral e universalista; mesmo tendo como
pano de fundo a linguagem e o discurso nas orientações pós-estruturalistas.
Assim parece-me também que a leitura (crítica) de
Simmel é muito mais elucidativa para a análise do carácter patriarcal da
modernidade do que a leitura de Butler, que simplesmente está submetida à
própria estrutura constatada por Simmel, ainda que essa estrutura também possa
ser formulada por ele de modo questionável, como quase ontológica. No entanto a
historicização crítica da atribuição de certo modo naturalizada feita por Simmel
só é possível tomando a sério o “desaforo da universalidade” de uma estrutura
profundamente colocada que vai até ao inconsciente e virando-a contra a
afirmação da referida atribuição, em vez de a escamotear, justamente assim a
reproduzindo simplesmente.
O problema fundamental do relativismo e a
inevitabilidade da abstracção dialecticamente mediada no contexto da crítica da
dissociação e do valor
A perspectiva limitada do pequenino favorecida por
grande parte do feminismo impede que se veja que as sociedades são quase sempre
constituídas com hierarquia de género pelo menos desde a modernidade. Como era
antes, será incerto; ainda que se conheçam algumas sociedades que provam que não
tem de ser sempre assim e que a dominação masculina não representa qualquer
constante antropológica (cf. Arbeitsgruppe Ethnologie Wien, 1989, p. 15).
Até os esboços construtivistas constatam
repetidamente que a relação de género teria de ser examinada na sua “infinita
variedade e monótona semelhança” (assim, por ex., Gildemeister/Wetterer com
recurso a Gayle Rubin, 1992, p. 217). Em vez disso parece que se entendeu
tematizar apenas a “infinita variedade”, sem querer sequer ver a generalidade,
que é a única que faz a “variedade”. Decisivo é, portanto, agarrar o patriarcado
produtor de mercadorias como tal no seu carácter mundial; e desde logo
independentemente da hipostasiação das diferenças culturais que se pode
verificar frequentemente no feminismo. Caso contrário, tornada a-conceptual essa
“monotonia”, em todo o caso constatada inconsequentemente, ela ameaça ajudar uma
furtiva hipótese de relações de género concebidas no fundo antropologicamente.
Com isto não pretendo de modo nenhum contestar
diferenças de qualquer espécie; mas estas só podem ser definidas quando está
claro em relação a que estrutura geral da lógica da formação histórica elas
ocorrem. Mas, se se trata do plano estrutural, no feminismo atinge-se quando
muito apenas até ao plano meso de cruzamentos e sobreposições sociológicas,
perante o pano de fundo de uma vaga ideia de sociedade meramente “relacional”,
por exemplo nos conceitos da interseccionalidade, como o nome já indica. O todo
não tem mais qualquer conceito, e muito menos no que respeita à relação de
género. No fundo, fica-se preso no ponto de partida da “teoria do ponto de
vista”, que agora só pode ser melhorado indo do plano da identidade imediata
para o plano da conceptualidade sociológica. Partindo de tais hipóteses da
lógica do posicionamento, qualquer posição tem então igual direito, deixando de
se ter em conta a totalidade social.
O fundamento epistémico deste pensamento é no fundo o
da sociologia da ciência, que teve grande expansão na Alemanha no início do
século XX; já então perante a falha das ideias do marxismo vulgar. A hipótese
fundamental da sociologia da ciência era também de que a verdade seria sempre
relativa, porque sempre fundamentada na “lógica do ponto de vista”. O universal
abrangente deveria então ser salvo de modo a-histórico e ideologicamente
soprado, através do embutir das diferenças na corrente ontológica da cultura, da
“vida”, afinal então sobretudo através da “comunidade do povo alemão” como razão
de fundo (para uma perspectiva sobre isto vide Lenk, 1972). As implicações
especificamente alemãs no período entre guerras poderão hoje ser rejeitadas com
horror, no entanto o ancoramento epistémico no relativismo ou nas diferenças de
ponto de vista, por um lado, e no culturalismo ou modelos de filosofia da vida,
por outro, é perfeitamente semelhante, ainda que não se queira reconhecer ou
admitir o parentesco.
Tais posições também no feminismo foram
ocasionalmente combatidas, embora cada vez mais raramente de há muito tempo para
cá. Assim escreve Cornelia Klinger: “Sem a correcção filosófica, a situação
incontestavelmente necessária do local da ciência e do conhecimento seria levada
ao absurdo pela sua absolutização. Em vez de situação tratar-se-ia de uma prisão
sem saída, onde de resto se perderia precisamente o que é habitualmente
considerado como supremacia da ideia do saber situado face ao ‘view from
nowhere’, nomeadamente o reconhecimento da relatividade da própria posição”
(Klinger, 1998, p. 251).
No entanto já Adorno (com quem Klinger de certa
maneira também gostaria de se ligar) achava tal crítica, que também se encontra
relativamente a uma sociologia da ciência tradicional, antes de mais “pobre”, na
sua argumentação na lógica formal. Ele fez notar que a crítica meramente formal
do relativismo confunde “… a negação universal de um princípio com a sua própria
elevação a afirmação, sem levar em conta a diferença específica da importância
de cada caso. Talvez fosse mais fecundo reconhecer o relativismo como uma figura
limitada da consciência. De início a consciência assume a figura do
individualismo burguês, que considera a consciência individual mediada por sua
parte como algo derradeiro, e por isso atribui às opiniões de cada um dos
indivíduos particulares o mesmo direito, como se não houvesse nenhum critério de
verdade… No entanto o relativismo é nulo, porque aquilo que ele toma de um lado
por arbitrário e contingente e de outro lado por irredutível emerge ele mesmo da
objectividade – justamente da objectividade de uma sociedade individualista – e
precisa ser deduzido enquanto aparência socialmente necessária. Os modos de
reacção que segundo uma doutrina relativista são peculiares de cada indivíduo
são pré-formados, quase sempre um balir; em particular o estereótipo da
relatividade… À tese abstracta da condicionalidade de todo o pensamento é
preciso lembrar concretamente a sua própria condicionalidade, a ofuscação em
relação ao momento supra-individual pelo qual apenas a consciência individual se
torna pensamento. Por detrás dessa tese encontra-se o desprezo do espírito em
favor do predomínio das relações materiais como a única coisa que conta aí
(Adorno, 1966, p. 46 [2009, p. 38]). Que por exemplo Pareto associe a mesma
perspectiva relativista a interesses de grupo e que Mannheim propagandeie a
supremacia de uma “inteligência em flutuação livre” perante o pano de fundo da
“limitação existencial” dos diferentes pontos de vista não constitui qualquer
problema adicional para Adorno: “Na verdade as perspectivas divergentes possuem
sua lei na estrutura do processo social como uma totalidade pré-ordenada”
(Adorno, 1966, p. 47 [2009, p. 39]). E é precisamente neste contexto que o
definido historicamente é obnubilado pela sociologia da ciência. As maneiras de
ver da sociologia da ciência tradicional e pós-modernas/pós-estruturalistas têm
obviamente múltiplos pontos comuns, não podendo eu aqui abordar as diferenças;
em todo o caso este ponto de vista relativizador parece repetir-se também no
feminismo, no discurso sobre diferentes mulheres, grupos de mulheres e situações
de mulheres, justamente agora e mesmo à escala internacional. Também aqui se
considera que a verdade estará sempre em suspenso e será sempre relativa.
Obviamente que também o próprio Adorno, apesar da sua
justa crítica não meramente formal ao relativismo, permanece ainda preso num
pensamento androcêntrico. Vendo bem, no caso dele trata-se do indivíduo
masculino nos centros capitalistas que na doutrina relativista esquece que a sua
própria universalidade também é constituída androcentricamente. A relação
dialéctica desta com o feminino dissociado deveria ser conceptualmente
determinada ao nível de abstracção do todo social. Mas uma ideologia feminista
da localização, pelo contrário, de tal modo se imagina o mais longe possível do
universalismo androcêntrico que propaga com ingénua alegria feminista um
relativismo supostamente descoberto virgem, mas que ele próprio está ancorado no
pensamento androcêntrico (historicamente na sociologia da ciência).
Tal como o “momento supra-individual” de que fala
Adorno, seria assim de fazer valer a dissociação-valor como princípio social
fundamental, de certo modo como a mais elevada abstracção, mesmo se a teoria da
dissociação e do valor por mim representada (vd. Scholz, 2000) bem que possui um
determinado entendimento efectivamente diferente, no sentido de ter de se
limitar a si mesma, questão a que também voltarei. Mas em vez disso parece-me
que, precisamente no feminismo como talvez em mais lado nenhum, está a ser
cuidado, assistido e celebrado um pensamento relativista da diferença incapaz da
crítica decisiva.
A crítica da dissociação e do valor seguramente que
tem um dos seus pressupostos não em último lugar na teoria crítica de Adorno. No
entanto não pode contentar-se com ela. Aqui surge um paradoxo fundamental se a
relação hierárquica de género como tal deve ser tematizada. A teoria feminista,
no que respeita à sua autolegitimação teórica e científica, é em primeiro lugar
obrigada a recorrer a elaborações conceptuais androcêntricas. Uma vez que o
feminino, a relação de género, desde o iluminismo que é determinado como o
“outro da teoria” e portanto necessariamente que não surge, tem de ser ele
próprio tematizado como princípio social fundamental num alto nível de
abstracção, como procura fazer a teoria da dissociação e do valor. Só assim a
verdade desta determinação não fica para trás, mesmo se leva consigo a sua
inverdade, por ser simultaneamente formulada como universalidade androcêntrica.
Mas seria completamente erróneo perante este problema do universalismo cair
demasiado apressadamente no particular, no detalhado, nas diferenças, no
“concreto” e na “praxis da vida plena”, o que já sempre coube ideologicamente às
mulheres, como suposta origem do ser no patriarcado produtor de mercadorias. Só
ao mesmo nível de abstracção da elaboração conceptual dominante a crítica da
dissociação e do valor se consegue articular com seriedade e só neste metaplano
ela consegue trazer à universalidade abstracta fechada em si uma correcção
estranha ao pensamento androcentricamente universalista.
Auto-afirmação em vez de autonegação como
pressuposto da auto-relativização
Mas, como se viu, de momento mantém-se no feminismo
um enorme receio de problematizar a relação hierárquica de género no nível de
abstracção adequado. Em vez disso faz-se uma grande reverência perante o
empreendimento académico e um desvio para a pesquisa de género supostamente com
seriedade científica mas insignificante como teoria social, pesquisa de género
que entretanto ela própria ameaça esgotar-se e não incomoda verdadeiramente
ninguém. Nesta situação o (pós-)feminismo consegue, como quem não quer a coisa,
“estar presente” de certa maneira sem problemas, ofuscado pela “grande
luminosidade”, ou seja, pela múltipla visibilidade de mulheres hoje, no sentido
do baile de máscaras pós-moderno, que se limita a simular uma liberdade
feminina; como diz McRobbie recorrendo a Deleuze (MacRobbie, 2010, 99). Ao que
corresponde simultaneamente a tendência para tornar de novo invisível o problema
fundamental da relação assimétrica de género. Um ponto de vista no feminismo que
continuamente recorre em primeiro lugar a diferenças, ambivalências,
particularidades, localidades etc. não só ajuda tais tendências, mas estas
exprimem-se justamente através dele. Nesse sentido não devia verdadeiramente
surpreender que se faça notar uma tendência para a eliminação do feminismo e da
própria temática do género, como está à vista por exemplo no Institut für
Sozialpsychologie de Hannover; mas também numa indiferença geral perante os
resultados da pesquisa de género, por exemplo na sociologia das organizações
(vd. Aulenbacher, Fleig, Riegraf, 2010).
Tendo em mente uma perspectiva emancipatória que vá
mais longe, tem portanto de se recusar que se desista conceptualmente do
princípio fundamental da relação hierárquica de género e que o mesmo se torne
difuso em relativizações. Este ponto de vista hoje dominante deve ser revertido.
Pois a esfera do feminismo, já sempre extremamente marginal, corre o risco de se
decompor internamente com a afirmação precipitada e teoricamente insuficiente de
que não poderia fundamentar-se a si mesmo de modo válido para todos e
universalista, porque as mulheres e as circunstâncias no mundo são sempre
“muitas”. Contra isso seria de erguer a afirmação da relação de
dissociação-valor como princípio base que, como relação abrangente e socialmente
concebida, representa para o capitalismo uma grandeza abstracta histórica
específica em geral, cuja universalidade não pode ser apreendida numa dimensão
biologística-antropológica.
Mas o conceito em si fechado de totalidade e de
generalidade do universalismo androcêntrico é quebrado no próprio plano geral
com o conceito de dissociação-valor, de tal maneira que este princípio teórico
não só consegue desde logo aceder às diferenças (e seu posicionamento
hierárquico), às particularidades que não são produzidas numa mera “relação de
derivação”, mas é mesmo obrigado a tê-las em conta a partir de si mesmo. Apenas
de tal modo consegue a teoria crítica da dissociação e do valor aceder ao seu
necessário autodesmentido interno, como um universal que radica necessariamente
no pensamento conceptual androcêntrico, sem se tornar ela própria “falsa” e
“inverídica” na sua universalidade (negativa), que no entanto deve ser mantida.
E só perante este pano de fundo é possível a sua auto-relativização, enquanto
formulação fundamental de um paradoxo; mas ela própria imprescindível num plano
de grande conceito, o que significa de facto que ela consegue simultaneamente
acompanhar em termos materiais e de conteúdo na sua qualidade própria o
“concreto” e o particular, o chamado plano micro, tal como a análise crítica do
já referido posicionamento hierárquico das diferenças (o que nas palavras da
sociologia é tratado com as expressões “Perspectivas da diferença e perspectivas
da desigualdade” – numa vista geral: Lindner, 2010, p. 182 sg.).
Trata-se portanto da reformulação feminista da
dialéctica negativa de Adorno, que ele próprio para começar apenas pôde formular
a sua crítica de modo androcentricamente universal, sendo verdade que ainda
meteu a relação de género no meio da Dialéctica do iluminismo, por
exemplo, mas apenas descritivamente. Agora é precisamente a própria
dissociação-valor que pode ser pensada como a mais elevada abstracção. A teoria
crítica da dissociação e do valor, no entanto, enquanto crítica imanente do
universalismo androcêntrico, que ela defronta no seu próprio nível de abstracção
sem simplesmente o reproduzir, está obrigada a “pensar contra si mesma” neste
sentido aconteça o que acontecer, para poder ser ela própria e assim ir além de
si mesma em mediação dialéctica NEGATIVA. NISTO ela está mais uma vez em unidade
com Adorno quando ele escreve: “A teoria de uma segunda natureza, já tingida
criticamente em Hegel, não se perdeu para uma dialéctica negativa. Ela assume a
imediatidade não-mediada, as formações que a sociedade e o seu desenvolvimento
apresentam para o pensamento, tel quel, para libertar por meio de
análise suas mediações segundo a medida da diferença imanente dos fenómenos em
relação àquilo que eles pretendem ser a partir de si mesmos” (Adorno, 1966, p.
48 [2009, p. 40]). Por conseguinte é igualmente válido que: “Na medida em que a
lógica hegeliana já tem sempre a ver com o medium do conceito e ela mesma
só reflecte de maneira universal sobre a relação do conceito com o seu conteúdo,
o elemento não conceptual, ela já está anteriormente assegurada da absolutidade
do conceito que ela se compromete a demonstrar. No entanto, quanto mais
criticamente se compreende a autonomia da subjectividade, quanto mais ela se
torna consciente de si enquanto algo por sua parte mediatizado, tanto mais
imperativa se torna a obrigação do pensamento de confrontar-se com aquilo que
lhe proporciona a firmeza que não possui em si mesmo. De outro modo não haveria
nem mesmo aquela dinâmica com a qual a dialéctica movimenta o peso daquilo que é
firme. Não se deve recusar pura e simplesmente toda experiência que se apresenta
de maneira primária” (Adorno, 1966, p. 49 [2009, p. 41]). No entanto, por
maioria de razão é válido que a própria imediatidade deve ser concebida como
mediada: “Para a dialéctica, a imediatidade não permanece como aquilo pelo que
ela se apresenta imediatamente. Ela se transforma em momento ao invés de ser
fundamento” (Adorno, 1966, p. 50 [2009, p. 41]).
Este modo de proceder está de resto ligado a uma
des-hierarquização entre o plano da forma geral e a superfície empírica. Porém,
quando não se elimina o plano da forma geral, mas se insiste na mediação entre
os dois, também ambos têm a sua justificação, tal como por outro lado não podem
ambos ser postos como um só, sendo um substituído pelo outro (cf. Scholz, 2009).
Isto é tanto mais válido quanto a teoria crítica da dissociação e do valor além
disso já não pode assegurar o “velho” estatuto androcêntrico do sujeito. Assim
vistas, também as diferenças e o correspondente efeito cumulativo relativamente
a “raça”, classe, género, homofobia etc. têm lugar no plano micro identitário,
bem como num plano meso sociológico; pressupondo-se, no entanto, que são vistas
perante o pano de fundo desta mediação em conexão com o contexto total, o qual
também tem de ser conceptualmente definido como tal. Por isso a crítica da
dissociação e do valor já por si tem sempre de satisfazer os protestos em
referência às particularidades do sexismo, do racismo, do anti-semitismo e das
disparidades económicas (ver sobre isto detalhadamente Scholz, 2005).
Assim, o contexto da dissociação-valor não deve ser
entendido como mero conceito sociologicamente limitado, no sentido da estrita
relação de género, mas sim como um contexto global já sempre abrangente e
determinando o todo social, que simultaneamente, sendo em si quebrado, não pode
ser outra vez uma nova contradição principal no sentido anterior; à semelhança,
por exemplo, da correspondente conceptualidade do marxismo do movimento
operário. Precisamente por isso, hoje, no fim da era da hipostasiação da
diferença e da relação, trata-se antes de mais de tematizar novamente a
dissociação-valor como princípio social fundamental; e bem que para lá de
qualquer instrumentalização do geral por um entendimento redutor a favor dos
interesses de classe média branca no feminismo, uma vez que a teoria não mais
androcentricamente afirmativa do todo em si quebrado tem de dar seguimento ao
diferente e ao separado dela já a partir de si mesma. Só assim, aliás, pode ela
existir na sua maneira paradoxal. Mas ela é COMO TAL impreterível na
determinação do PRINCÍPIO FUNDAMENTAL negativo e abrangente.
O patriarcado produtor de mercadorias esquecido
Assim, se o conceito de dissociação-valor deve ser
considerado por assim dizer como GRANDEZA FILOSÓFICA, no sentido de princípio
social fundamental que determina toda a sociedade (mundial), e por isso tem de
ser tematizado para lá de qualquer interesse feminista particular – então esta
problemática não pode obviamente voltar a ser tratada apenas no contexto
particular do debate feminista. Pelo contrário, essa grandeza filosófica terá de
constituir a base da teoria crítica em geral, por causa do seu carácter
abrangente. Só desta maneira se torna claro que a dissociação-valor não trata
simplesmente da relação hierárquica de género em sentido estritamente
sociológico, mas sim do todo da relação social. Nessa medida a dissociação-valor
já não pode ser tratada como “aspecto” da elaboração teórica geral no plano da
mera constituição do sujeito, como pensam alguns, por exemplo os representantes
de uma certa crítica do valor de resto entendida de modo universalista. Trata-se
nada menos que da verdade do falso todo, que agora no entanto tem de ser
concebido de novo.
Isto não tem nada a ver com meras obrigações morais
de se “declarar” feminista, nos termos da campanha a que também se sentem
obrigados homens de orientação até aqui universalista marxista, na sua infinita
benevolência para com os desejos das pobres mulheres discriminadas. É a própria
coisa que tem de ser resgatada logo na conceptualidade teórica fundamental. Não
se trata, portanto, apenas de teoria feminista com o objectivo da “libertação da
mulher” (na maior parte das vezes explícita ou implicitamente pensada imanente
ao capitalismo) nem das correspondentes tematizações no plano do sujeito, mas
sim de muito mais. Mas até se trata disso também. Significativamente congressos
da esquerda radical como o Congresso No-Way-Out de 2007, o Congresso
“Trabalho e Crise” de 2010, ou o “Congresso do Comunismo” no mesmo ano, com
Zizek, Negri e Badiou, desenrascam-se agora cada vez mais sem participação de
mulheres de qualquer “raça” ou classe. Nas recensões sobre novas leituras de
Marx quase não aparecem reformulações feministas da teoria de Marx. Tudo isto
não promete nada de bom para os respectivos processos de inovação na elaboração
teórica, mesmo que a dimensão feminista tivesse de ser metida no meio como
álibi, mas não no plano fundamental da teoria social.
Já no princípio dos anos de 1980 escrevia Heidi
Hartmann: “O casamento do marxismo com o feminismo foi exactamente como o
casamento dum homem com uma mulher nos termos estabelecidos no direito civil
inglês: marxismo e feminismo são um só, e este um é o marxismo” (Hartmann, cit.
em Sommerbauer, 2003, p. 53). Nesse caso devem ser questionados os
desenvolvimentos feministas, por exemplo da teoria da regulação, e postas sob
suspeita as ideias de todo o tipo sobre economia, Estado, direito e género que,
com uma introdução superficial por exemplo da crítica da “heteronormatividade”,
sugerem consciência do problema, que no entanto não poderia ser encontrada no
plano da determinação da forma social fundamental.
Mas um feminismo desconstrutivista do género e da
diferença, que se dá por satisfeito com “posicionamentos meso” sociológicos, já
ajudou nas últimas décadas as ideias de teoria social e de crítica social
concebidas em grande parte androcentricamente (pelo menos no fundamental) que
hoje grassam de novo às claras. Tacitamente não se toma em consideração uma
lógica da atribuição que tinha sido formulada repetidamente por Poullain de la
Barre já no século XVIII, por George Simmel e Simone de Beauvoir, até às
feministas pré-feminismo do género. Deste modo por maioria de razão é de novo
reproduzida uma lógica androcêntrica com a qual se aspira a lidar no
desconstrutivismo precisamente através da sua “desnomeação”; ou seja, uma
estrutura com a qual não se pode lidar com um entendimento estrutural
sócio-filosófico convencional, como as antigas teorias ainda sabiam
perfeitamente, se fossem razoavelmente reflectidas. Simmel pode aqui ser citado
mais uma vez como caso representativo. Ele descreve esta estrutura da seguinte
maneira: “Uma vez que, nos ideais sonhados e no estabelecimento de objectivos,
nos trabalhos e nas combinações de sentimentos, o momento diferencial da
masculinidade desaparece mais facilmente da consciência dos seus portadores do
que acontece com o correspondente momento da feminilidade – pois o homem,
enquanto senhor, não está vinculado nas suas condições de vida a qualquer
interesse tão vital na sua relação com o feminino como o que a mulher tem de ter
na sua relação com o masculino – por isso para nós as expressões masculinas da
vida facilmente se elevam à esfera de uma objectividade e validade
supra-específica e neutral (cuja coloração específica, onde porventura se nota,
é subclassificada como algo de individual e acidental” (Simmel, 1985b, p. 201
Sob as condições de uma neutralização ideológica do
género no feminismo desconstrutivista as estruturas de associação masculina
podem agora passar novamente despercebidas. Precisamente nos contextos de
esquerda parece pressentir-se uma vez mais a brisa matinal e, quando a coisa se
torna “séria” na teoria, pode sugerir-se novamente às mulheres que não devem
fazer ondas, pois agora voltam a estar na ordem do dia problemas e dimensões
quase ”objectivos” e “universais”; de resto, apesar de todas as tendências para
transformar o masculino precarizado em doméstico, ou talvez precisamente por
causa delas (cf. Werlhof, 1983).
Já no início do século XX, o clássico da
apologia da associação masculina, Hans Blüher, escrevia com grande franqueza:
“Uma vez que os trabalhos criativos provêm das associações masculinas e a
associação masculina sofre uma completa deformação de estilo se entrar nela uma
só mulher, mesmo a mais inteligente e a melhor do mundo, como membro de pleno
direito e protegida pelo direito, por isso o mínimo da exigência antifeminista
deve ser: rejeição de qualquer invasão de mulheres nas associações masculinas”
(Blüher, cit. em Kreisky, 1995, p. 106). Eva Kreisky constata aqui que:
“‘Associação masculina’ nunca é só aquela que se declara como tal. As
associações masculinas nas sociedades modernas exprimem-se sobretudo de
múltiplas maneiras informais e latentes, que muitas vezes apenas factualmente
funcionam à maneira de associação masculina… Exclusão das mulheres e reserva de
admissão aos homens podem ser intencionais ou não. Mas em todo o caso as
mulheres são excluídas. As associações masculinas são um instrumento de
angariação de poder masculino e de manutenção de poder masculino. Avistar formas
‘mais flexíveis’ de associações masculinas limitaria consideravelmente as
possibilidades analíticas do conceito de associação masculina” (Kreisky, 1995,
p. 109). Bem entendido que não se trata aqui de uma definição essencial “da”
mulher e “do” homem, mas sim de uma estrutura androcêntrica fundamental
historicamente determinada, mesmo se os indivíduos particulares nela não são
completamente absorvidos.
A função das mulheres como gestoras da crise, mesmo
nas alavancas do poder, quando as estruturas elementares do patriarcado
capitalista se desfazem, não está assim em contradição com esta estrutura
fundamental, mas implica decididamente tais relações neopatriarcais. Pesquisas
em política, economia e outros domínios públicos provavelmente teriam
demonstrado que, mesmo nas situações condicionadas pela crise de entrada forçada
das mulheres a partir de cima nestes domínios, elas continuam tal como antes a
conseguir entrar apenas para passarem pelas varetas perante as estruturas de
associação masculina. E de facto investigações recentes sobre a questão de saber
se se verifica a erosão ou a reprodução das relações tradicionais de género
comprovam esta mesma tendência; obviamente que por regra sem se dar ideia disso,
porque presas compulsivamente no plano de uma análise sociologicamente
descritiva. As codificações sexuais, portanto, de modo nenhum desapareceram –
especialmente no quotidiano (cf., por ex., Wetterer, 2007, p. 201 sg.).
Isto tem uma consequência que, no entanto, não é
retirada imediatamente: a guerra dos sexos e a respectiva concorrência
enfurecem-se hoje sobretudo abaixo da superfície. Ao que, todavia, não raramente
se responde com o conceito sociologicamente quase (sexualmente) neutro de
“fecho” do mercado de trabalho, com a simultânea confusão, por outro lado,
perante uma certa permeabilidade às mulheres dos domínios profissionais
tradicionalmente masculinos e particularmente nas posições de poder intermédio.
Apesar disso, em todo o caso tais pesquisas deixam claro que não se verifica uma
construção por assim dizer mais calma da igualdade de direitos no sentido do
homo oeconomicus induzida pelo (neo)liberalismo, como algumas posições
marxistas já sempre supõem relativamente à relação de género.
Além disso, obviamente, também têm de ser apreendidas
na e apesar da sua fragilidade tendências sociais codificadas como universais
que conduziram à relativização pós-moderna da relação hierárquica de género,
mesmo a partir da dinâmica da dissociação–valor como contradição em
processamento histórico. Como cliché pode constatar-se que globalização, colapso
do bloco de leste, individualização pós-moderna, erosão da relação de género
tradicional, constituição de relações transversais e de hibridades de diversos
tipos etc. constituem mesmo desenvolvimentos reais, que no entanto só podem ser
esclarecidos de todo tendo como pano de fundo um patriarcado produtor de
mercadorias entendido como processo à escala mundial. Com isto voltamos ao
princípio das nossas reflexões. Se Gudrun-Axeli Knapp em 1988 reclamou um olhar
sobre a “diferença esquecida”, ou seja, sobre a diferença entre mulheres, hoje,
pelo contrário, tem de se dirigir a atenção fortemente para o “patriarcado
produtor de mercadorias esquecido”. O estatuto conceptual do feminismo até agora
vigente, de ficar sem dançar por não ter par, qual inocência neutra transferida
para o ser do género, não pode ser assim mantido em “muitos” aspectos.
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Original DAS
ABSTRAKTIONSTABU IM FEMINISMUS. Wie das Allgemeine des Warenproduzierenden
Patriarchats vergessen wird. Publicado na revista
EXIT! Krise und Kritik der
Warengesellschaft, 8
(7/2011) [EXIT! Crise e
Crítica da Sociedade da Mercadoria, nº 8 (7/2011)], ISBN 978-895002-322-4, 260
p., 13 Euro, Editora: Horlemann Verlag, Grüner Weg 11, 53572 Unkel, Deutschland,
Tel +49 (0) 22 24 55 89, Fax +49 (0) 22 24 54 29, http://www.horlemann.info/.
Tradução de Boaventura Antunes (01/2012)